terça-feira, 21 de dezembro de 2010


Sem frescura. Não tenho esse pensamento superficial sobre o que as pessoas vão pensar de mim, sobre como me olharão de maneira diferente se eu estiver com uma bolsa de marca ou com um sapato da moda. Dane-se. Ando de pés descalços, e como pizza com a mão. Diferente de outras mulheres, abro pote de palmito, e não falo miando. Não sou ingênua e não aceito tudo. Se tiver que trocar lâmpada, vamos lá. Não suporto gente metida, que se acha dona do mundo. Poupe-me. Para impressionar, tem que ter muito além disso, tem que ter algo chamado caráter. Sou confusa, fato. Troco de humor mais do que a lua, e sou um poço de paciência. Agora, não mexa nos meus príncipios, porque aí sim, eu rodo a baiana.

Gosto de colo, gosto de carinho. Choro vendo filme, lendo uma história, imaginando finais felizes. Odeio futebol, mesmo. Sou péssima na cozinha, e não invente de me mandar arrumar a casa, definitivamente, não sei ser dona de casa. Não dá. Gosto da liberdade, da mudança, nada que tenha rotina me prende por muito tempo. Sou teimosa, pra caralho. E quem não é? Passividade nunca foi solução pra nada. Se quer, tem que ralar, e muito. Falo coisas sem sentido, dou belas gargalhadas, e me divirto com isso.


Martha Medeiros escreveu certa vez, que cada pessoa é o que sente, é o que veste, o que come, o que acha, o que fica oculto. Pois bem, então eu sou roxo e branco. Sou pão de queijo logo pela manhã, sou mousse de chocolate. Sou suco de laranja natural. Sou literatura pura: Caio, Clarice, Drummond, Fernando, Paulo, Cecília, Florbela.... Sou as sensações que tive, momentos. Sou a brincadeira na rua quando criança. Sou o choro não contido na hora do adeus. Sou a alegria de coisas simples. O abraço fraterno nos amigos. Sou a confusão, sou a certeza, sou a dúvida, sou a determinação. Sou filme de comédia. Sou o que escrevo, sem fundamento. Sou o que imagino, sou o que penso, o que vivo. Sou tudo aquilo que ninguém mais vê, a não ser eu mesma. E sou o que eu mesma não vejo também.

E você, é quem? Olhe atrás desse óculos escuros, desse cabelo bem feito. dessa roupa e visual bem arrumado. Eu quero saber é da sua essência. Vamos, me diga, quem é você?


Era uma noite fria, gelada. Não ouvia outra coisa, a não ser seus próprios passos na rua deserta, e sua respiração, cansada, ritmada. Também podia ouvir as batidas do seu coração. Compassadas, como se fossem parar a qualquer momento. Antes parassem, então todo sofrimento e dor, desapareceriam. Mas não.

Olhou para as luzes dos postes, que clareavam o caminho para alguns sujeitos perdidos, como ele agora. Olhou para o clarão de luz, e pensou no fardo terrível da existência. Então olhou para si mesmo. Era um bom homem, sim. Tinha cerca de 30 anos, estava bem. Era saudável, bem vestido, formação acadêmica. E um vazio no coração. Era rico, tinha um palácio, e uma sensação de vazio que parecia lhe corroer a mente mais e mais a cada segundo. Não havia mais o que fazer. Esperar? Mas ele há tanto já esperara.

A esperança como um pássaro assustado, parecia querer voar para bem longe. Ficara em sua boca apenas o gosto da vodka, e da expectativa. Largou sua mochila preta no meio da rua, naquela madrugada fria de inverno. Foi caminhando até chegar ao poste mais próximo. E sentou-se.

Começou a passar um filme em sua cabeça, e a tontura o deixava mal. Não sabia se tudo aquilo havia sido real, ou apenas delírios, frutos de sua imaginação. Mas não, era real, ele sentia os gritos abafados que seu coração tentava - sem qualquer ajuda por parte dele, manifestar.

Ele tinha uma vida pela frente. Tinha um sonho. Queria ser alguém. Mas agora, não passava de um desconhecido, sentado abaixo de um poste de uma rua qualquer na cidade, com o coração na mão, e um resto de esperança esquecida, que seus olhos ainda conseguiam traduzir em alguns momentos. Breves momentos.

Olhou para o céu, e as estrelas pareciam lhe sorrir um sorriso amargo. Pelos seus olhos rolaram uma lágrima, talvez a última.

Já tô cheia desse pessoal pseudo-deprimido, com seus sentimentos pseudo-depressivos, reclamando sempre da mesma coisa: do trabalho, do estudo, da familia, dos amigos, da vida, do amor. Parece que tudo precisa ter data marcada, caso contrário, ferrou.
É preciso estar extremamente calculado que à quarta-feira, exatamente as 3 da tarde, aquela pessoa vai ligar. E o que você irá lhe falar, já está gravado na ponta da sua língua, sem tirar nem pôr. Ah, qual é!? Amor não tem hora marcada. Felicidade também não. É por isso que eu gosto do improvável: uma surpresa em plena segunda de manhã, um sorriso que eu não esperava, um abraço, um elogio, até uma crítica - porque não?
Vivemos em mundo caótico, dominado pela grandeza material e a superficialidade. É uma ciranda catastrófica, que te destrói aos poucos, as vezes sem nem mesmo você perceber. Eles compram sua alma e você nem percebe. Vende fácil, a preço de banana. Por isso que eu digo, que há uma tênue diferença entre viver e estar vivo, muitas pessoas estão mortas e não sabem. Perambulam por aí, reclamando que o trabalho é um saco, o salário é insuficiente, que a família só causa stress, que o amor é besteira. Acorda, porra. O mundo não gira em torno do umbigo de ninguém, e se você quer que algo mude, antes mude você mesmo. Parem com essa ladainha de achar uma desculpa pra tudo. Olhe para o espeho, bem dentro dos seus olhos, e diga: eu estou vivo. Faça isso por merecer.
Sua vida não vai melhorar se você continuar fazendo sempre as mesmas coisas. Você não vai ser promovido, ser mais amado, ou mais feliz. Então, bota a cara pra bater, e segue em frente. Você pode até se perder pelo caminho, e tropeçar; faz parte do aprendizado, porque uma hora, você chega lá. Ninguém tropeça estando parado.
As pessoas tem muito medo da solidão, e camuflam tanto isso, a ponto de transformar esse fato na verdadeira tragédia de suas vidas. Ninguém vai chegar, vestido com seda branca na porta da sua casa e despejar: olá meu bem, sou a felicidade, me deixe entrar, sim?
Ninguém tem hora marcada pra ser feliz. Se é a todo momento. Só depende de cada um. Portanto, chega dessa auto-flagelação, ok? Chega desse desespero emocional, dessa eterna busca sentimental. Parem com essa história de que "preciso achar um amor em 7 dias, 4 horas e 2 minutos". Ou vou sugerir aos donos dos grandes supermercados que comecem a vender amores enlatados.

Pai.



Eu sei o quanto é duro escrever isso, pois apenas ao pronunciar esta palavra, meus olhos não seguram as lágrimas. Não sei explicar exatamente porque - bem, na verdade, sei sim. Eu até pareço forte aos olhos dos estranhos, sabe pai? Mas aqui, bem aqui dentro, ainda dói, dói muito.
Não estou aqui para lhe julgar, não, muito pelo contrário, mas veja bem, é muito doloroso relembrar um passado, ainda não esquecido. E eu era apenas uma criança, e aprendi muito cedo a maldade que existe no mundo, no coração das pessoas, no seu coração, pai.

Noites sem dormir, ansiedade, desespero. Onde você estava, pai? Onde estava que não viu meu choro? Onde estava, que me abandonou? Onde estava que não me ajudou? Estava exatamente aí, ao meu lado. Me repreendendo com os olhos de quem repreende um crimonoso, posto à pena de morte. Mas eu era apenas uma criança, pai. Eu tinha muito medo do mundo. E de você.
Nunca imaginei que a situação fosse chegar ao ponto que chegou.

Feriu fundo, pai. A dor não foi física. Foi emocional, espiritual. Tocou na alma. E dilacerou.
Ficaram nessa mesma alma, algumas cicatrizes ocultas, e uma ferida, talvez a maior que eu possua. Hoje em dia ela já não transborda mais em sangue, mas ainda está aqui. Qualquer cutucãozinho, e pronto. Lateja, dói, arde...

Apesar de tudo, foi a partir disso que eu aprendi a ter coragem. Sim, coragem. Mas não a coragem covarde que aprendi com você, que intimida as pessoas. Aprendi a coragem para enfrentar meus medos. Ainda dói muito, mas eu só quero dizer que meu coração não suporta mais guardar mágoas. E que eu te perdôo, de todo coração.

Eu só queria que em algum momento, você pudesse ter tido a oportunidade de ler isso.
Sei que no último minuto, chamaste meu nome. Desculpa não poder estar por perto.
Desculpa não poder ter olhado nos teus olhos pela última vez, e dizer: Pai, eu te perdôo.

Desejo toda luz do mundo pra você. Sempre.
Que você possa encontrar seu caminho.
Siga no caminho da luz.

domingo, 8 de agosto de 2010

É interessante como eu consigo escrever coisas completamente sem fundamento. Não, eu não consigo juntar idéias. Escrevo assim, torto. Vou tentando dar algum sentido à palavras soltas, descrevendo coisas completamente absurdas. Sim, eu voltei. Depois de algum tempo vom minha alma perdida em algum canto por aí, eu finalmente estou conseguindo voltar aos meus textos sem direção certa. Textos? Não. Não os chamo assim. Na verdade são algumas linhas distorcidas, onde se encontram palavras e idéias mais distorcidas ainda. Frases que me vem à cabeça e que - por um motivo ou outro - eu tenho a infelicidade de escrever, e tentar explicar.
Tudo isso para quê? Sinceramente eu não sei.

Não sei se escrevo intencionalmente, querendo que alguém leia, ou não. Não tenho a pretensão de que me entendam, ou mesmo concordem. Mas preciso manifestar o que às vezes - seja por medo ou receio - fica preso no baú mais fundo do subconsciente. E que ninguém percebe (talvez apenas finjam que não). Chega de me preocupar com os outros mais do que me preocupo comigo mesma. Chega de chorar, chega de gritar, chega de ficar me culpando por tudo. Chega de sofrer antecipadamente. Não sei porque complicar algo, que pode mudar em uma fração de segundos (mais calma que o mar) - e quem entende?
Fale o que quiser. Faça o que bem entender também. Chega uma hora que até mesmo o desespero cansa. E para na calçada pra respirar.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Ser forte;

Ser forte é fingir um sorriso no rosto quando se está mal
É fingir estar feliz, enquanto tudo a sua volta está desmoronando
É parecer forte, mesmo arruinada por dentro
É sentir-se desesperada, e ajudar ao outro em vez de si
É sentir medo, e guardar isso somente para você
É compreender que os outros não te compreendem
É aceitar os tombos que a vida te dá, sem reclamar, mas erguendo a cabeça e seguindo a jornada
Ser forte é entender, que para aprender a viver, é preciso sofrer
É encara um problema como uma oportunidade, que a vida lhe dá,
para mostrar do que você é capaz
É estar morrendo enquanto tenta renascer
É esperar de onde já não vem
É fazer, o que ninguém mais teria feito
É ter coragem de mostrar para o mundo como você é
Mostrar troféus como prêmios merecedores por suas conquistas,
e cicatrizes como marcas, de sua luta pela sobrevivência
Ser forte é ter uma alma inabalável, que, quando abalada,
sangra sem ninguém ver.